segunda-feira, 23 de abril de 2012


EU TIVE A SÍNDROME DO PIRIFORME E VOLTEI A CORRER

Pois bem pessoas, como eu havia dito, vamos começar esse meu projeto de alertar os corredores sobre as lesões. E o bacana é explicar contando um caso real, assim podemos além de saber um pouquinho mais sobre determinada lesão, entender que pra todas elas tem tratamento e que é possível sim voltar a correr, muito embora a gente ache que é o fim do mundo....rsrsrs.

Meados de agosto de 2009. Eu vinha numa fase de muitas competições. Corria tudo. Estava participando de 2 Campeonatos ao mesmo tempo e em ambos, brigava pelo pódio. Os treinos eram duros, mudei a planilha e...passei a treinar com meu tênis de competição. Era levíssimo e me dava a sensação de que os tiros eram mais puxados.

Foi quando passei a sentir uma dor estranha no glúteo esquerdo. Não era uma dor comum. Ela incomodava durante o começo do treino, depois com o corpo totalmente aquecido, parava. Porém, após o treino ela voltava. Doía na hora de dormir. Já não podia dormir do lado esquerdo e muitas vezes eu me via gemendo quando pisava no chão.

Assustada, porém na ânsia de terminar os campeonatos, afinal faltavam apenas 5 provas, continuei treinando, na base de biofenac e de alguns repousos menos espaçados. Em dezembro de 2009, corri a última prova. Eu era a 3a na geral antecipadamente e a 1a na categoria. Lembro bem. Deixei uma adversária me passar faltando poucos metros. As lágrimas corriam nos olhos. Estava doendo demais. Mesmo aquecida, mesmo parada, mesmo em repouso. Era o fim da linha. Naquele ano terminei o Campeonato Santista em 4º e o Circuito em 1º.

Fui ao médico. E já fui totalmente informada. Passava tardes e tardes pesquisando sobre o assunto. O que poderia ser aquela dor que irradiava em direção á perna pra cima e pra baixo e era tão profunda no glúteo. Queria saber se era ciático.. queria tudo pra ontem.

 Então o Dr. Vuono levantou a minha perna direita até em cima (praticamente uma Daiane dos Santos. Em seguida fez o mesmo com a esquerda, lado que estava doendo. Também a elevou até em cima. Em seguida me explicou que se fosse o ciático, eu gritaria na metade do percurso. Mas a dor glútea continuava. Me pediu que fizesse um ultrason e 10 sessões de fisioterapia. Lembro que ele me viu tão triste e quando eu ia saindo consultório me disse:  "Calma Luciane, calma. Não será dessa vez que você irá aposentar seu tênis. Ainda vai corre muito, não é nada grave."

Quando fui fazer o ultrason também já anotado num papelzinho zilhões de dúvidas e assim que o Dr. começou a fazer o exame, bombardeei o cotado de perguntas: "Tem camada fibrosada no periforme? Dá pra ver a lesão? Dá pra saber se meu ciático passa pelo meio ou por baixo do periforme? tem alguma fibra rompida??....Sorte a minha o Dr. ser paciente...rs...pois me respondia tudo como quem tivesse entendendo, pelo menos um pouquinho o sofrimento que eu estava. O diagnóstico foi dado: SÍNDROME DO PIRIFORME.



Foram intermináveis 2 meses entre fisioterapia e paciência. Nada de antinflamatórios, porque eu não podia tomá-los devidos a um probelma de púrpura que sofro.

E cá estou eu... vivinha da silva, correndo....E agora, bora entender o que é essa tal de Síndrome do Piriforme?


Se você sente dor na região glútea (nádega), quadril, lombar, membro inferior e também formigamento ou dormência, que podem irradiar em direção à perna do lado acometido, dê uma lida nesta matéria

As lesões esportivas são comuns e específicas de acordo com a natureza do esporte. No caso da corrida, o toque repetido do pé no solo transfere as forças mecânicas dos membros inferiores até a coluna. E se algo não está harmônico neste "caminho das forças", as lesões podem aparecer com mais freqüência.

Quando falamos em lesões pensamos logo nas que são causadas pelo esporte ou atividade física praticada. Porém, existem lesões que são decorrentes de nossas atividades do dia-a-dia ou as que são provocadas pela junção de maus hábitos posturais mais o esporte.

É o caso da Síndrome do Piriforme, que é uma patologia que pode acontecer por associação de fatores presentes no nosso dia-a-dia e na prática esportiva.

O QUE É? A Síndrome do Piriforme é uma irritação do nervo ciático provocada pelo aumento da tensão ou espasmo do músculo piriforme.

O piriforme é um músculo pequeno e profundo, localizado na nádega, sob os glúteos e tem como função a rotação externa da coxa, que é quando o joelho "olha" para fora, além de auxiliar na abdução (abertura da coxa). Sua localização vai do sacro (porção final da coluna) até o fêmur (osso da coxa). O nervo ciático passa debaixo deste músculo, mas em algumas pessoas (10%) ele passa através dele, o que aumenta a predisposição para a síndrome. Se o músculo se tensionar pode haver compressão do nervo ciático o que causa dor, com irradiação para a perna.
Alguns estudos relatam predominância maior de casos em mulheres numa proporção de 6:1.

O QUE CAUSA? A causa mais comum é a tensão e encurtamento do músculo piriforme. Porém tensão e encurtamento da musculatura próxima a ele (coluna, nádega e quadril) também geram tensão neste músculo, predispondo à compressão do nervo ciático.

É comum em esportes que requerem corrida, mudança de direção ou descarga de peso excessiva. Os seguintes fatores podem também favorecer o aparecimento da síndrome: corrida em terrenos duros ou irregulares, subir escadas, atividades que exijam muito agachamento e uso de calçados inapropriados para o tipo de pisada ou gastos demais.

No caso de pronação excessiva, o membro inferior sofre uma rotação excessiva, o que sobrecarrega a tíbia, joelho, quadril e coluna. Por isso é importante a utilização de calçados adequados para o tipo de pisada.

Quem anda e principalmente corre com a ponta do pé muito aberta, para fora (tipo dez para as duas) tem mais chances de tensionar o piriforme, pois fica o tempo todo estimulando o músculo na sua função, que é rodar a coxa para fora juntamente com o pé quando o joelho está esticado.

O aumento rápido na intensidade ou duração dos treinos pode contribuir para o aparecimento da síndrome por sobrecarga do piriforme. Traumas diretos podem provocar edema na região do piriforme ou causar uma tensão e conseqüente compressão e irritação do nervo ciático.
Um desequilíbrio muscular entre os rotadores internos e externos do quadril, como no caso de rotadores externos mais fortes que os internos, contribuem para encurtar o piriforme, além de desequilíbrios da pelve. Os distúrbios na biomecânica dos membros inferiores e coluna, incluindo distúrbios na marcha, vícios (maus hábitos) e alterações posturais também podem causar a síndrome.

Manter a postura sentada por longos períodos, principalmente com a coxa em rotação externa (como ao dirigir) diminui o aporte sanguíneo para a região do músculo e altera a fisiologia do piriforme (e dos músculos próximos à ele também) e provoca encurtamento.

Como esta é uma patologia causada por um aumento na tensão do músculo (ou espasmo), a falta de alongamento irá contribuir para que a musculatura envolvida se tensione ainda mais e piore os sintomas.

SINTOMAS: As queixas incluem dor que pode acontecer em alguns locais como: na região glútea (nádega), quadril, lombar, membro inferior e também formigamento ou dormência, que podem irradiar em direção à perna do lado acometido.

A dor pode ser reproduzida na rotação externa do quadril resistida, que é quando tentamos impedir o movimento de afastar os joelhos, ou seja, o joelho vai para fora e o pé para dentro, como ao cruzar uma perna sobre a outra. Ou quando se força o movimento contrário (rotação interna), isto é, quando forçamos o movimento de levar o joelho para dentro e o pé para fora.

Numa avaliação postural, o membro inferior acometido pode apresentar uma rotação externa maior que o não acometido (com o joelho esticado o pé roda para fora e sentado, o joelho "olha" para fora).

MEDIDAS A SEREM TOMADAS: Procurar um médico para que o diagnóstico seja estabelecido, descartando a possibilidade de outras patologias que têm sintomas parecidos com a Síndrome do Piriforme é a primeira atitude a ser tomada. Deve ser feito um exame físico detalhado para descartar a possibilidade de hérnia discal, problemas associados à compressão nervosa na região lombar (estreitamentos de forames), artroses ou patologias da região sacro-ilíaca.

Como é uma condição patológica que não se comprova em exames de imagem, o diagnóstico é estabelecido com base no exame físico e nos sintomas, o que pode acarretar em erro no diagnóstico e dificuldade no tratamento, ao se focar em coluna quando o problema está na região do quadril.

Depois de confirmado o diagnóstico, podem ser prescrito medicamentos para auxiliar no alívio da dor e relaxar a musculatura. Pode ser orientado repouso relativo (parar corrida ou qualquer outra atividade física por um tempo) ou apenas a redução no ritmo da corrida. Porém é importante a realização da fisioterapia, onde será orientado um programa de exercícios para equilibrar a musculatura, além de técnicas diversas para alívio dos sintomas, de acordo com cada quadro apresentado. Com isso, a prática esportiva acontecerá sem riscos de retorno dos sintomas.

TRATAMENTO: O tratamento tem como objetivos a redução da dor, melhora da flexibilidade e força e diminuição da tensão do músculo piriforme e dos músculos próximos à região, através de técnicas de massagem. Poderão ser utilizados aparelhos como ultra-som e TENS para o alívio da dor e formigamento/dormência e deve ser orientado um programa de alongamentos e fortalecimentos para que o retorno ao ritmo de corrida seja seguro e com boa performance.

A utilização de ultra-som e massagem são técnicas efetivas para remover metabólitos e tecido cicatricial (evita fibrose), além de acelerar a resolução da lesão.

A aplicação de gelo deverá ser feita para diminuir a dor, pois o gelo tem efeito analgésico e antiinflamatório. Pode ser feito da seguinte forma: coloque várias pedras de gelo num saco plástico e amarre. Coloque este saco dentro de um tecido fino e úmido e coloque na região glútea, mantendo por 20 minutos. Repetir 3 vezes por dia e não tomar banho logo após a aplicação, para não interromper o efeito do gelo.

Os exercícios devem ser iniciados assim que houver algum alívio da dor, de acordo com o quadro apresentado pelo paciente. Os alongamentos devem ser feitos no início de forma leve e os fortalecimentos devem ser introduzidos gradualmente.

Todos os músculos envolvidos, além do piriforme, devem ser alongados e fortalecidos para que funcionem em harmonia sem causar nenhum transtorno ao atleta no futuro. Porém, nesta matéria, deixaremos sugestões de alongamentos mais voltados ao piriforme (e músculos com a mesma função que a dele). É importante salientar que estes exercícios não devem ser utilizados como forma de tratamento, e sim apenas como auxiliares.

O retorno ao esporte deve ser um processo gradual. O tempo de retorno dependerá da extensão da lesão e do nível de atividade praticada.

Eu fiz tudo certinho. Fiquei triste, desanimada, confesso. Como eu disse, foram 10 sessões de fisioterapia. Não conseguia ver sequer alguém correndo que me dava vontade de chorar. Mas persistí e voltei zerinho, zerinho.... Aproveitada as sessões para pesquisar, fazer perguntas: "Pra que serve esse choquinho e esse, e aquele outro".
 
Mas tirei uma lição de tudo isso. O corpo precisa de descanso. Quando percebermos uma dor estranha, pára tudo. Descansa. Verifica se ela ainda persiste e em caso positivo, vá ao médico. Porque o lema é: Correr bem pra correr sempre.
 
Bom pessoal, hoje o assunto foi a Síndrome do Piriforme. Felizmente estou recebendo e-mails de vários corredores, contando sobre suas lesões. Muitos, contam até coisas erradas que fizeram e que consequentemente os fizeram ir mal em determinada prova. O bacana é justamente isso. Trazer o exemplo de corredores como nós pra que nos possa passar aquela traqnuilidade de que o problema existe, mas que tem solução.
 
Um forte abraço

3 comentários:

Anônimo disse...

Olá , sou a Claudia . Sinto exatamente essa dor, porém sem diagnostico pq naum tenho convênio medico . Me assusta saber q vou ter que interromper meus " treininhos" hoje 5 km . Estou evoluindo bastante mas estou com essa dor tem em toro de uns 20 dias chegou passar em uma semana e depois na outra voltou intensa. Mas valeu a explicação , vou me virar e corrigir isso.

Claudia Matos

Nailson dos Santos disse...

Olá Luciane.

Meu nome é Nailson e minha esposa, a Luiza encontrou esse seu post enquanto estava procurando referências para tratamento da mesma enfermidade que você tinha, a síndrome do piriforme.
Ela já teve o diagnóstico confirmado por vários ortopedistas e neurologistas, mas estamos com uma imensa dificuldade em encontrar especialistas para assumir o tratamento.
Você poderia nos fazer uma gentileza e passar alguns contatos?
Não sei de onde você é, mas qualquer coisa irá nos ajudar, pois ela está com essa dor horrível já há 5 meses, sem sucesso com medicações.
Moramos em Campinas-SP.

Agradeço desde já sua ajuda.
Nailson e Luiza
nailson@gmail.com

Nailson dos Santos disse...

Olá Luciane.

Meu nome é Nailson e minha esposa, a Luiza encontrou esse seu post enquanto estava procurando referências para tratamento da mesma enfermidade que você tinha, a síndrome do piriforme.
Ela já teve o diagnóstico confirmado por vários ortopedistas e neurologistas, mas estamos com uma imensa dificuldade em encontrar especialistas para assumir o tratamento.
Você poderia nos fazer uma gentileza e passar alguns contatos?
Não sei de onde você é, mas qualquer coisa irá nos ajudar, pois ela está com essa dor horrível já há 5 meses, sem sucesso com medicações.
Moramos em Campinas-SP.

Agradeço desde já sua ajuda.
Nailson e Luiza
nailson@gmail.com