sábado, 22 de março de 2008



SÉRIE: LESÕES EM CORREDORES


III- FRATURA POR ESTRESSE



Fraturas por estresse (ou de esforço ou por sobrecarga) são pequenas fissuras ósseas que ocorrem freqüentemente em decorrência de um impacto excessivo e crônico.
Li numa revista, que determinada fratura chega a atingir 10% dos atletas de elite!!! Nos corredores, os ossos da parte média do pé (metatarsais) apresentam uma tendência especial a esse tipo de fratura. Os ossos que apresentam maior probabilidade de fratura são os metatarsais dos três dedos médios. O osso metatarsal do hálux é relativamente imune à lesão, devido à sua força e ao seu tamanho, e o osso metatarsal do dedo mínimo do pé habitualmente fica protegido, pois a maior força de impulsão é exercida pelo hálux e pelo dedo adjacente (segundo pododáctilo).


PROVÁVEIS CAUSAS:
Os fatores de risco das fraturas por estresse do pé incluem:

* os arcos acentuados;
* os calçados de corrida com mecanismo de absorção de choque inadequado;
* o aumento súbito da intensidade ou do tempo do exercício.
* distúrbios alimentares (deficiência de calcio)
* distúrbios hormonais
* tipo de piso;
* sobrecarga;
* deformidades estruturais em varo do retropé e do antepé que resultam em pronação excessiva e até erros no treinamento.

As mulheres na pós-menopausa podem ser particularmente sensíveis às fraturas por estresse devido à osteoporose. Ê, mulherada, sobrou pra nós!!!! Mas são os homens os campeões de incidência desse tipo de lesão, devido o tipo de calçado utilizado e fundamentalmente, aos erros no treinamento.


SINTOMAS:
O principal sintoma é a dor na parte anterior do pé, geralmente durante uma série longa ou intensa de exercícios. Inicialmente, a dor desaparece alguns segundos após a interrupção do exercício. Contudo, caso o programa de exercícios seja continuado, a dor retorna mais precocemente durante o treinamento e dura mais tempo após o indivíduo parar de se exercitar.
Finalmente, a dor intensa pode impossibilitar a corrida e persistir mesmo durante o repouso. A área em torno da fratura pode tornar-se edemaciada. O médico pode freqüentemente estabelecer o diagnóstico baseando-se na história dos sintomas e no exame do pé. O local fraturado dói à palpação. As fraturas por estresse são tão delicadas que é comum não serem detectadas imediatamente nas radiografias. No entanto, elas podem detectar o calo ósseo que se forma em torno do osso fraturado duas a três semanas após a lesão, à medida que o osso cicatriza.


TRATAMENTO:
A cintilografia óssea pode confirmar o diagnóstico mais precocemente, mas esse procedimento raramente é necessário. O indivíduo não deve correr até tenha ocorrido a consolidação da fratura por estresse, (sei que essa parte é muito difícil para nós corredores), mas lhe é permitido praticar atividades esportivas substitutas.
Em geral nas fraturas por estresse, na fase inicial do tratamento, preconiza-se, o uso de medidas fisioterapêuticas específicas para reduzir o quadro álgico : gelo, Ultra-som para acelerar a produção do tecido ósseo e o laser como cicatrizante, utilizando-se também, dos medicamentos anti-inflamatórios, para reduzir a síntese das prostaglandinas, responsáveis por ativar as terminações nervosas livres, que levam a informação sensorial ao cérebro, aumentando a percepção da dor.


COMO EVITAR:
Após a consolidação, a recorrência do quadro pode ser evitada com o uso de calçados esportivos com suportes adequados com boa absorção de impacto e da prática de corrida sobre grama ou outras superfícies macias.
O uso de aparelho gessado raramente é necessário. Quando utilizado, o aparelho é removido após uma ou duas semanas, para evitar o enfraquecimento da musculatura. O processo de cura geralmente leva de três a doze semanas, mas pode levar mais tempo nos indivíduos idosos ou enfermos.


PRÓXIMO TÓPICO: CANELITE